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16/09/2006 16:47


O PARTO

O filho nasceria em dezembro. Antônio ainda estava meio zonzo, afinal fora pego de surpresa. Nem dois meses de um namorico, uma gravidez nada desejada bateu à porta. É claro, o velho “golpe da barriga”. E o que ele faria com Beatriz e Silvia? As duas completavam aquela lacuna do amor que Antônio tanto carecia. Beatriz era contida , tímida, singela. Silvia era emoção sempre ,tímida também, uma linda mulher mignon e não menos encantadora.Cada uma com suas diferenças, mas ele amava as duas.

A mãe da criança? Era tudo o que Antônio não queria como mulher, muito menos como mãe de um filho seu. Mas pelo rebento, ele resolveu investir na relação com a mãe do bebê. Um compromisso forjado, uma relação hermética, pasteurizada no trabalho e nos encontros familiares.Antonio casou e foi o último a saber do acontecido.As brigas do casal viraram out-door, verdadeiras obras-primas do desamor entre duas pessoas e eram relatadas com requintes de ironia pelos amigos dele.

Beatriz resolveu aquietar-se, esperar o tempo agir, aplaudir do camarote toda essa história. Arrumou um namorado e, pouco tempo depois, Bia foi morar com ele. Silvia foi à luta. Para ela, o amor tinha uma importância imensa na sua vida. Silvia atou e desatou o namoro com Antônio, mesmo ele estando com a mãe do bebê. Ela amargou decepções. Antônio a buscava, sempre a desejava e até reatou o relacionamento, mas seu egoísmo era maior que seus 1,76 m de altura. Canalhices à parte, Antônio sentia a cruel ausência de Silvia.

Abominava viver sem o cheiro de Silvia,sem a pele,sem os fluidos daquela mulher. Mas Silvia sonhava com a ternura de mãos se encontrando e, apesar de amá-lo, embarcou para Portugal quando setembro chegou.

Um choro de criança estampou na noite fria do dia 22 de dezembro. Era André, o filho de Antônio que acabava de dizer um “oi” ao mundo. André pesava quase 7 quilos, chegou com saúde. Antônio chorou de felicidade como há muito não fazia. André seria uma benção em sua vida já tão achatada por viver com quem não amava. Antônio havia voltado a sonhar.

Três meses depois, um telefonema o acorda. Do outro lado da linha alguém muito próximo o comunica: o DNA foi negativo. André não era seu filho.




enviada por suze






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